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28/07/2010

Quando a melhor tecnologia é um mau negócio

Erika Ferreira

 
Quando escolhemos a última tecnologia, acreditamos fazer o melhor para a empresa e passar imagem mais apropriada possível para os clientes. Mas isso não é sempre verdade.  
 
 
Recentemente, ouvi o seguinte diálogo entre um pequeno empresário e um webdesigner (que, na verdade, acredito se tratar de um operador de softwares de webdesign, o que é muito diferente):  
 
“webdesigner” – Faço o site da sua empresa todo em Flash 10, que é muito melhor – disse, querendo mostrar conhecimento.  
 
Empresário – Mas o Flash 10 não roda em Windows 98, as pessoas não vão conseguir ver meu site.  
 
“webdesigner” – Mas ninguém usa mais o Windows 98!  
 
Empresário – Não? Então avise isso para os meus clientes, porque acho que ninguém disse isso para eles ainda. Aproveita e avisa também para as grandes empresas, porque elas não têm o Flash 10 no site.  
 
Nota 10 para o empresário, que conhece os clientes que tem, e zero para o operador de software. A lógica é simples: o site só serve se puder ser visualizado por clientes/clientes em potencial. Limitar esse acesso a quem usa softwares atuais, principalmente se o mercado que se quer atingir não tem nada a ver com tecnologia da informação, é um erro grande.  
 
Se as maiores empresas não impõem essa barreira, então, por que as pequenas deveriam fazer?  
 
Ótimas ideias desperdiçadas  
 
O caso me fez lembrar uma história da (infelizmente) extinta operadora de telefonia móvel Telemig Celular. O Marketing da empresa teve muitos acertos e méritos: atingia em cheio as características dos mineiros, conquistando, por muito tempo, um público fiel e apaixonado pela marca. Mas, mesmo nessa “fase de ouro”, cometeu o que podemos chamar de “tiro n’água”.  
 
A ideia era ótima: como celular ainda era uma novidade (aqueles primeiros “tijolões”), a empresa teria que ensinar os clientes a usar o aparelho, um pouco diferente dos telefones fixos. Para não fazer um manual seco, a empresa deixou a criatividade correr solta: propôs criar um CD Room, já que os usuários de telefone celular seriam, ao menos em tese, pessoas abertas à tecnologia. E, para ficar descontraído, convidou o Grupo Galpão (sucesso total em Minas Gerais, não teria escolha melhor) para gravar uns esquetes bem-humorados, ensinando, por exemplo, como utilizar os botões “End” e “Send” (lembra deles?) nas ligações.  
 
O manual digital ficou maravilhoso! Foi minha opinião quando vi. Porém, anos mais tarde, em uma palestra do então diretor de Marketing da empresa, e não quando o produto foi lançado. E, do meu lado, um amigo comentou: “Que legal! Eu tinha esse aparelho, mas não sabia que o CD era isso”.  
 
A falha da companhia foi apostar em uma tecnologia que ainda não tinha sido assimilada pela maioria das pessoas. Meu amigo não era uma exceção, era a regra. E o próprio diretor admitiu que a estratégia foi uma ótima ideia, mas sem nenhuma eficácia: pouquíssima gente, mesmo tendo computador em casa, se deu ao trabalho de ver o que continha o CD Room.  
 
Assim como no caso da pequena empresa, a melhor tecnologia não gerou um resultado por causa de uma interpretação errada sobre a audiência. Nem todas as pessoas mantêm a tecnologia mais atual o tempo todo. Na verdade, a maioria não precisa disso.  
 
No caso do site, caso tivesse sido feito, o resultado seria ainda pior. Não apenas o trabalho seria desperdiçado, mas a tecnologia limitaria o acesso à informação, desprezando parte dos clientes. Portanto, antes de investir no que há de mais avançado, vale à pena prestar atenção nos seus usuários.

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