11/03/2010
E-book é elemento fashion na China
Lucia Zanelli
Com um crescimento de 8% ao ano no seu PIB e uma população de 1,5 bilhão de habitantes, a China é um mercado em ascensão para o livro digital.

O Google recebeu autorização de mais de 50 editoras chinesas para digitalizar mais de 30 mil livros, que podem ser parcialmente acessados pela Internet. No entanto, a pirataria pode atrapalhar os bons negócios, 95% dos chineses que leem publicações em algum tipo de dispositivo eletrônico baixam conteúdo pirateado da rede mundial.
Um relatório, divulgado em outubro de 2009, por uma aliança de editoras e companhias de Internet, revela que cerca de cinco milhões de chineses começaram a ler livros em aparelhos eletrônicos portáteis. Os jovens estão mais conectados com a nova tecnologia, 75% da população do país que lê livros eletrônicos têm menos de 31 anos.
Em entrevista ao site
www.CNN.com, a estudante chinesa disse que “Na América, as pessoas têm o sonho americano. Na China, as pessoas tem sonhos online”. A jovem explica que a maioria dos seus amigos leem romances online fantásticos sobre viagens no tempo, amor ou uma mistura dos dois.
Outro ponto interessante na pesquisa é que de um total de 79 milhões de chineses que leem livros em dispositivos eletrônicos: 6,3% leem em telefones móveis e apenas 0,3% nos aparelhos dedicados à leitura de livros.
É nesse mar de oportunidades que a
Shanda Literature Limited (SDL), divisão da
Shanda Interactive Entertainment, a maior provedora de entretenimento online da China, sediada em Xanghai, vem crescendo assustadoramente.
Shanda Literature opera três dos maiores portais de literatura da China, incluindo o Qidian, um dos mais populares. Juntos, os sites têm mais de 200 milhões de páginas visitadas diariamente e publicaram aproximadamente 30 bilhões de caracteres chineses, de acordo com os arquivos da Shanda Literature.
Os rendimentos da companhia vêm de publicidade online e da cobrança de pequenas quantias aos usuários que acessam as histórias mais populares ou os trabalhos de autores famosos que tenham sido contratados para escrever para a companhia. A empresa tenta ganhar ainda com a concessão de licenças aos estúdios cinematográficos, produtores musicais, desenvolvedores de jogos e publicadores de livros enquanto detém a propriedade intelectual das obras.
A Shanda possui os direitos de mais de 200 mil trabalhos e vendeu algumas licenças para outras companhias, incluindo uma popular novela de “Tomb Raider” que está sendo adaptada para o cinema pelo diretor de Hong Kong Johnnie To Kei-Fung.
Xiaoqiang Hou, chefe executivo da Shanda Literatura, diz que o diferencial da empresa é que ela angaria sócios para publicar e distribuir obras literárias no mundo inteiro. "Esperamos criar o nosso próprio Harry Potter,” salienta.
A Shanda oferece um portfólio diversificado de conteúdos de entretenimento, incluindo alguns dos mais populares role-playing games e avançados jogos online na China, assim como o xadrez online e jogos de tabuleiro, plataforma de e-jogo de esportes e uma variedade de desenhos, obras literárias e musicais.
A Shanda plataforma de entretenimento interativo atrai uma grande base de usuários leais. Cada usuário pode interagir com milhares de outros usuários e desfrutar do conteúdo de entretenimento interativo que a empresa fornece.
Zhou Hongli é o Chefe do Escritório de Direitos Autorais da Shanda Literature Limited (SDL), em Pequim.
Shanda Literatura Limited ("Shanda Literatura") é líder na indústria chinesa no segmento de edição digital. Como convidada de honra na Feira do Livro de Frankfurt 2009, a Shanda apresentou seus modelos de negócios inovadores na edição digital e as conquistas que alcançou durante os últimos anos e foi bem recebida pelo público.
De acordo com o executivo chinês, a Shanda Literatura Limited é um modelo de negócios bem-sucedido para a publicação online e beneficiará o mundo como nós estamos tentando replicá-lo em alguns outros países ou regiões. A Shanda pretende trazer uma nova experiência para a indústria editorial mundial. Ela dedica-se a ampliar a escala global da experiência editorial Malthus e traz mais oportunidades de negócios para todos os ramos da indústria editorial.
O executivo chinês estará no Brasil no 1º Congresso Internacional do Livro Digital – de 29 a 31 de março em São Paulo
Em entrevista exclusiva ao site www.sintoniasp.com, o executivo chinês explica que o o E-book é uma nova indústria na China.
Sintonia: A economia chinesa é uma das que mais cresce no mundo. Como a China está se preparando para o comércio do e-livro?
Zhou Hongli: E-Book é uma nova indústria na China. Estamos ainda na fase inicial em aspectos do produto, mercado, vendas e marketing, e de consumo. De alguma forma, E-books têm um grande potencial com um enorme grupo de clientes segmentados na China. Chinês e-players da indústria do livro deve tentar praticar o seguinte: concepção e fabricação de e-livros e e-leitores de acordo com o gosto e o costume de leitura dos leitores chineses. A Shanda Literatura Limited (SDL) tira partido da sua mais rica reserva de direitos autorais na China e vai quebrar a barreira entre o e-leitores e e-books para que o consumidor possa ler off-line ou on-line, e pode baixar qualquer hora e em qualquer lugar.
Sintonia: A indústria editorial chinesa é regulamentada pelo governo. Como a China está se preparando para a abertura dos mercados. Especialmente no campo editorial?
Zhou Hongli: O ano de 2010 é um ano crucial para a publicação de reformas na China, pela Administração Geral de Imprensa e Publicações da China. Esses fatores mostram a atitude positiva do governo chinês na abertura da indústria editorial. A seguir são algumas das tarefas principais: algumas editoras e entidades de distribuição não funcionam como uma corporação. Elas serão transformadas em empresas que são reguladas pelo mercado e o governo irá vaincentivar a grandes empresas ou grupos para consolidar os seus negócios na forma de trans-regional.
Sintonia: Quais os fornecedores que podem trabalhar na China?
Zhou Hongli: Provedores de conteúdo global são bem-vindos à China para continuar a desenvolver os seus negócios. Há uma enorme demanda para o tipo de conteúdos digitais de boa qualidade, com parcelas atrativas ou os adequados para a leitura contemporânea.
Sintonia: Qual o maior desafio que o mercado editorial chinês enfrentará este ano?
Zhou Hongli: A pirataria é o maior desafio enfrentado pelos editores chineses que trabalham com e-books. Embora o governo chinês trabalhe duramente para combater a pirataria e os editores têm tomado várias medidas para proteger seus direitos autorais, a pirataria continua a ser o maior obstáculo impedindo o desenvolvimento rápido da edição digital. Outro grande desafio é o mesmo que enfrentado pela indústria de publicação digital de todo o mundo, que é cultivar o hábito de pagar por conteúdos digitais pelos leitores.
Sintonia: Qual o futuro do e-books na China?
Zhou Hogli: 2009 foi um ano sem precedentes para as vendas de e-reader na China. Existe um fornecedor chinês de e-reader que vendeu 500 mil unidades no ano. E-reader é considerado como um item fashion na China. Com a redução do preço do e-reader e o aumento do conteúdo dos livros, os e-books serão popularizados na China dentro de um ou dois anos. Minha estimativa é de que as vendas de e-readers na China possam chegar a mais de 2 milhões de unidades em 2010.
Sintonia:Como você vê a questão do direito editorial de publicações de e-books?
Zhou Hongli: Para a edição de conteúdos digitais, a minha opinião pessoal é a seguinte:
a. Deve haver uma reserva rica de conteúdo, a fim de satisfazer as necessidades dos diversos clientes;
b. O editor deve ser capaz de fornecer os títulos mais populares, especialmente os best-sellers. Isso é importante para as vendas de e-book;
c. Melhorar a experiência dos usuários, a fim de fazer e-book como o principal formato de conteúdos digitais aceito pelos leitores.
d. Transfira a maravilhosa experiência de leitura on-line do e-books para ler.
Maria Lúcia Zanelli - jornalista e professora universitária. Trabalha na Agência Imprensa Oficial e nos sites
www.afimesp.com.br (coluna Sua Beleza) e
www.amigonews.com.br (coluna Sua Estante). Autora do livro "Conflitos localizados no mundo contemporâneo" - Naippe-USP e co-autora do livro "Cadernos de Jornalismo - Última Hora" (Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro)
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